28.4.17

peça do mês



Quando vim para a Inglaterra, o meu parceiro (agora marido) e eu tivemos alguma dificuldade em encontrar uma casa para alugar. Eu preciso de um espaço meu, onde eu possa mudar as coisas e colocá-las ao meu jeito, torná-lo num lar. Isso sempre foi uma questão importante para mim e tornou-se ainda mais importante quando eu saí do meu país de origem, Portugal.

Quando finalmente encontrámos um lugar que poderíamos chamar de casa, comprámos uma pequena cana de bambu, a cana da sorte, para nos trazer boa sorte a nós e ao nosso (novo) ninho.

Tradições asiáticas antigas sustentam que a planta de bambu traz consigo um equilíbrio especial de Feng Shui, atraindo boa fortuna e bem-estar ao nosso ambiente.



Esta peça, que faz parte da minha colecção talking objects | objetos falantes, carrega com ela um significado, planta nela uma pequena cana da sorte e acredita. Este pequeno vaso "lucky" pode ser uma prenda especial, ou um complemento perfeito para a decoração da tua casa, trazendo-lhe apenas boas vibrações.

Este vaso custa €9.50 + portes de envio e pode ser adquirido na minha loja [im]perfect  ou na plataforma Etsy em [im]perfect life detail.

* Cana bambu e selos não incluídos
 
Nota: Esta peça será enviada embrulhada em papel de seda branco e, posteriormente, em plástico bolha. Será colocada numa pequena caixa de papelão e enviada com um cartão com as instruções de cuidado a ter.

Altura externa: 6.00cm
Altura interior: 5,00 cm
Diâmetro exterior: 5,00 cm
Diâmetro interno: 3.50 cm
Todas as medidas são aproximadas (a altura pode variar)



INSTRUÇÕES DE CUIDADOS:
• não lavar nem colocar debaixo de água.
• não deixar cair.

Dica de limpeza: usar um pano ligeiramente húmido para limpar suavemente o pó. As toalhitas de bebé são ótimas para isto.

♥ todas as peças são desenhadas e feitas à mão por mim num processo totalmente artesanal e moroso ♥

27.4.17

ritmo zero [imperfeições alheias]

Há dias que nos levam a questionar por onde caminha a humanidade, por que estradas sinuosas continuam os seres humanos a trilhar futuros cada vez mais sombrios, desgastados e sem final feliz à vista, o que deixaremos às gerações vindouras que apenas vão conhecendo o lado mais sombrio do ser humano...

 Enquanto navegava pela internet, num dos sites de notícias online que sigo, deparei-me com uma história que me deixou ainda mais perplexa ao entender a extensão da crueldade humana para com seus semelhantes quando estes se encontram indefesos; tratava-se de uma reflexão sobre a performance artística "Rhythm 0", ousada e complexa, talvez até polémica, ocorrida em 1974 no estúdio pessoal da artista plástica e performer Marina Abramovic onde a mesma se propôs a expôr o seu corpo, vestido, durante seis horas para que os espectadores pudessem interagir consoante suas vontades e não tendo ela qualquer acção de resposta ou defesa; nesta performance arriscada existia uma mesa com 72 objectos dos mais agressivos (lâminas, facas, cordas, algemas, uma pistola carregada...) aos mais inofensivos (penas, flores, escova de cabelo...) e que poderiam ser utilizados pelo público a seu bel prazer sem que a artista se defendesse ou evitasse.

 Seria de esperar para quem, como eu, acredita na bondade interna do ser humano que a performance tivesse decorrido com quase nenhuma má intenção e todos os presentes tivessem entendido o motivo por detrás de tão perigosa decisão: ficar à mercê de desconhecidos como sendo um objecto inanimado ou um corpo sem protecção senão a dos mesmos interagentes; mas de facto nada de ternura, de compreensão ou pacificidade aconteceu durante as seis horas levadas até ao fim por Abramovic que foi sujeita a cortes no pescoço e braços, despida, apalpada, acariciada sexualmente, agredida com uma coroa de espinhos na cabeça, ameaçada com a arma carregada, humilhada...conseguindo mesmo assim não interromper a performance, não se defender nem dizer uma palavra contra os que se serviram do seu corpo para exorcizar sabe-se lá que demónios ou frustrações pessoais. No fim da performance e após cuidados médicos, a artista enfrentou o público com lágrimas e palavras de mágoa por perceber na pele até onde pode ir a crueldade dos seres humanos quando em multidão se deparam com alguém solitário, indefeso...

 Podem questionar o método desta performance, achar que a artista se expôs deliberadamente e por isso se sujeitou ao que cada um tem de pior em si e muitos dirão até que teve aquilo que merecia porque só uma "doida" se deixa vandalizar sem qualquer defesa ou reacção; mas o que para mim se deve retirar deste acontecimento já com 4 décadas é que se fosse hoje as consequências teriam porventura sido muito piores e não duraria seis horas uma mulher frágil e indefesa no meio de pessoas cada dia mais violentas, frustradas, agressivas, insensíveis e covardes até.
 Será o Homem cruel por natureza? Teremos todos dentro de nós uma latente crueldade apenas à espera da oportunidade certa de se revelar, poderemos todos um dia em nossas vidas descambar para actos de violência gratuita? Ou teremos nós a capacidade de escolher entre o bem e o mal, de discernir o correcto e de aniquilar dentro de nós as vontades mais primárias e animais?

Estas questões trazem-me à memória notícias recentes de casos idênticos que se tornam ainda mais graves por se tornarem em espectáculos de bullying, de violência gratuita, filmados por um qualquer telemóvel anónimo sem que se trate de uma performance isolada e vigiada; enquanto que no caso de Abramovic, tendo contornos tristes de percepções erradas sobre o que é ser humano e repeitador para com os demais, se criou uma atmosfera possivelmente potenciadora de reacções mais ou menos sádicas (pese a culpa de cada um dos espectadores que ultrapassou o limite da liberdade alheia), nos dias de hoje cada ataque aos mais enfraquecidos é feito em plena praça pública onde qualquer um de nós se pode ver de repente agredido, violentado, agrilhoado, desrespeitado, indefeso perante a força dos que agem em bando reforçados pela negligência de forças de ordem ou políticas estanque à mediocridade da mais vil forma de ser humano: a cobardia do que sózinho é nada e em conjunto se torna tudo!

por Nádya Prazeres 
 

26.4.17

liberdade ♥ desafio palavras quase perfeitas


A vida encarrega-se de nos prender, as circunstâncias constrangem-nos os atos, os julgamentos apagam-nos as palavras. Os gritos ficam mudos, a dança dá lugar ao bater do pé, a gargalhada desvanece para um leve sorriso, os sons passam a silêncios, os gestos viram lamentos do corpo, e a vida vai-se perdendo, na corrida atrapalhada dos anos, onde até para chorar é preciso desprendimento e coragem.

Mordemos o lábio para não falar, não nos apaixonamos para não sofrer, trabalhamos das 9 às 5 para não faltar dinheiro, não aproveitamos os pequenos "luxos" da vida para não gastar, não dançamos à chuva para não nos constiparmos mas no fim vamos morrendo numa morte lenta de desalento e constrangimento que nos impomos por medos, crenças, ilusões ou desilusões. Quando na verdade, o dom da vida está em manter a liberdade com que nascemos e que teimamos em fazer desaparecer, ano após ano, prisão após prisão.


25.4.17

pela paz

Acordo apreensiva com o estado do mundo. Observo o meu pequeno mundo de coisas pequenas mas doces. Como se foge ao que nos rodeia? Como se faz para não deixar que o ambiente hostil se entranhe nas paredes do nosso ninho? Como observar os direitos da mulher serem depositados nas mãos de machistas extremistas, sem ficar preocupada com as mulheres que carrego no coração, aquelas que fazem o meu corpo mover-se, a vida acontecer. Como?...

A L. a resolver os problemas com a irmã com pequenos gestos violentos, a vitimização da C. às queixas da irmã, a minha revolta em respirar num mundo em que se incentiva a guerra como resposta às birras e atos insanos de lideres. Como explicar que violência gera violência a uma criança de 5 anos? Como explicar a uma de 10, que luta silenciosamente contra o bullying a que é submetida na escola? Como mostrar as qualidades de um mundo que cada vez tem menos? Como ensinar a bondade quando ela se afunda na maldade do povo? Como explicar o respeito quando se canaliza o ódio através de insultos que não escolhem idades, nas redes sociais? Como incentivar a coragem numa sociedade de covardes?

Mais uma vez, tento que entenda que a violência é inimiga da razão, não resolve problemas, não nos faz sentir melhores e não é forma de argumentação ou entendimento. Diz que compreende e que quer pedir desculpa. Aceito mas relembro... às vezes não há desculpas que resolvam atos impensados de ações impróprias. Violência não é solução, é problema.

Ligo as notícias e adultos respondem com palavras amargas a provocações, troca-se balas como quem troca cromos de futebol e eu preparo a minha filha para a paz... será que vai ser essa a realidade que ela irá conhecer? Onde estão os sonhadores de Abril?